A crise climática, as desigualdades sociais e os choques econômicos estão expondo os limites de soluções isoladas. Governos, empresas, sociedade civil e academia precisam trabalhar juntos para enfrentar desafios que são, ao mesmo tempo, ambientais, sociais, econômicos e políticos. É exatamente aqui que entra a colaboração multissetorial – também chamada de colaboração intersetorial –, como uma prática estratégica para construir respostas mais inteligentes, justas e sustentáveis.
Este site apresenta o Guia Prático de Colaboração Multissetorial para o Desenvolvimento Sustentável, um material sintético e aplicado, pensado como ferramenta de apoio para quem desenha, facilita ou participa de parcerias multissetoriais em governos, empresas, organizações da sociedade civil, movimentos comunitários e instituições de ensino.
O conteúdo foi pensado especialmente para:
Gestores públicos que desejam estruturar parcerias intersetoriais em políticas públicas e programas de impacto socioambiental.
Profissionais de sustentabilidade, ESG, impacto social e inovação dentro de empresas.
Lideranças e equipes de organizações da sociedade civil, coletivos e redes cidadãs.
Pesquisadores, facilitadores e consultores que atuam com governança colaborativa, processos participativos e inteligência coletiva.
A proposta é oferecer um material de consulta rápida, direto ao ponto, que possa ser usado tanto no desenho inicial de uma colaboração multissetorial quanto na reestruturação de parcerias já existentes.
O guia apresenta os principais elementos que sustentam uma liderança colaborativa distribuída, incluindo: liderança individual e coletiva, liderança organizacional (estratégica e operacional), liderança de convocação, de representação, de apoio, informacional e de facilitação. Juntas, essas dimensões ajudam a criar condições para confiança, alinhamento, corresponsabilidade e tomada de decisão compartilhada em ambientes multissetoriais.
São sistematizados os fatores críticos para que uma parceria multissetorial funcione na prática:
governança equitativa e representativa;
confiança e relacionamentos sólidos;
núcleo articulador neutro e estruturado;
equilíbrio de poderes e gestão de conflitos;
integração de lógicas institucionais distintas;
visão compartilhada, objetivos claros e monitorados;
gestão transparente de recursos;
comunicação estruturada em diferentes níveis.
O guia apresenta exemplos concretos de colaboração intersetorial em diferentes contextos:
a Associação 4C, que criou um padrão global de sustentabilidade para o café;
a Moratória da Soja na Amazônia, referência mundial em governança privada voluntária;
o projeto La Rolita, em Bogotá, integrando mobilidade elétrica, inclusão produtiva e equidade de gênero;
iniciativas de Soluções Baseadas na Natureza em Valência (Espanha);
o sistema de certificação florestal FSC;
a plataforma brasileira de biodiversidade e serviços ecossistêmicos (BPBES), articulando ciência, saberes tradicionais e políticas públicas.
Esses casos mostram que colaboração multissetorial para o desenvolvimento sustentável é possível e já está em curso em diferentes países e setores.